Se a disputa presidencial permite alguma previsibilidade — institutos diferentes convergindo na mesma direção, variando apenas a intensidade —, o cenário alagoano revela outra face das pesquisas eleitorais: a divergência. E é justamente essa diferença que torna o exercício mais interessante.
Cinco pesquisas recentes testaram o confronto entre João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), e Renan Filho (MDB) no primeiro turno. Quatro delas apontam vantagem de JHC, variando de 4,9 a 14 pontos percentuais. Uma, a Vox Brasil, inverte o quadro: Renan Filho aparece à frente por 5,8 pontos.
A mediana das cinco margens fica em 4,9 pontos para JHC; a média, em 4,4 pontos. Os números são parecidos, mas escondem uma dispersão importante: o intervalo vai de 5,8 pontos favoráveis a Renan Filho até 14 pontos favoráveis a JHC. São quase 20 pontos de amplitude entre os extremos.
Essa divergência não é apenas de tamanho, mas também de direção. É diferente do que vimos na corrida presidencial, onde nenhum dos institutos considerados colocou Flávio Bolsonaro à frente de Lula, mesmo nos cenários mais apertados.
Em eleições estaduais, com menor volume de pesquisas, diferenças de metodologia, composição da amostra, período de campo, forma de entrevista e formulação das perguntas podem produzir resultados bastante distintos. Ainda assim, uma amplitude próxima de 20 pontos dificilmente pode ser explicada apenas pela margem de erro amostral.
Há, portanto, um primeiro dado que não deve ser ignorado: JHC aparece à frente em quatro das cinco pesquisas consideradas. Isso lhe dá uma vantagem na fotografia atual, mas a grande dispersão dos resultados recomenda cautela antes de transformar essa vantagem em favoritismo consolidado.
No segundo turno, o quadro empírico é ainda mais escasso. Apenas dois institutos divulgaram esse cenário até agora, ambos com JHC na frente: 5,5 pontos pela Paraná Pesquisas e 9 pontos pelo Instituto Ranking. A média entre eles é de 7,25 pontos. Sem um terceiro ou quarto levantamento para comparação, seria frágil tratar esse número como uma tendência consolidada.
Convertendo essa diferença em votos, sua dimensão fica mais visível. Alagoas tem cerca de 2,44 milhões de eleitores. Aplicando um comparecimento próximo ao histórico e descontando votos brancos e nulos, podemos trabalhar com algo em torno de 1,7 milhão de votos válidos. Uma margem de 7,25 pontos nesse universo representaria aproximadamente 123 mil votos — uma diferença expressiva dentro do eleitorado alagoano.
Outro dado merece atenção: a rejeição. Nos números considerados neste ensaio, Renan Filho aparece com 35,5%, contra 28% de JHC — uma diferença próxima de 8 pontos. Se medidos pelo mesmo instituto, com a mesma metodologia e no mesmo período, esses índices ajudam a compreender uma possível dificuldade adicional para Renan numa disputa direta de segundo turno. Rejeição, entretanto, não determina sozinha o resultado de uma eleição.
A lição que este exercício regional acrescenta à leitura nacional é metodológica. Pesquisa não é resultado antecipado da urna. É uma estimativa sujeita à margem de erro e às características de cada levantamento. Quando várias pesquisas convergem, a tendência ganha força. Quando apresentam diferenças tão grandes como ocorre hoje em Alagoas, a prudência precisa aumentar.
A fotografia atual, portanto, permite uma conclusão intermediária: JHC aparece em vantagem na maioria das pesquisas e também nos dois levantamentos disponíveis de segundo turno. Mas a forte dispersão entre os resultados ainda impede considerar essa liderança consolidada.
Hoje existe uma vantagem numérica de JHC. Ainda não existe, porém, segurança suficiente para dizer que a eleição esteja definida.
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